Texto cena Marília

Algum poeta disse uma vez que “as únicas coisas eternas são as nuvens”(pausa) não lembro qual poeta(tenta lembrar) 

Eu vejo no espelho uma paisagem indecifrável refletida em meu olhar.Vejo pêlos por toda parte.Nem toda a superfície é iluminada.Há claros e escuros.Um lado tão diferente do outro.Uma boca pequena e minha.

Eu me vejo assim mas de algum modo não me reconheço em mim.

Ainda bem que vocês estão aí agora.Vocês não sabem o quanto isso me conforta.

Em uma tarde…eu me lembro…a areia estava lá.Era um jardim incrível que dava no mar.Numa pequena praia com rochas nas laterais.O casal na água,umas águas douradas…o cachorro deitado…o pipoqueiro…eu lia um romance leve para passar o tempo.Na verdade o romance estava ali,naquelas imagens.É confortante ver a harmonia das coisas sem sentido,você não acha?

De repente encontro no livro uma única frase:Você deve seguir.Não tenha medo.Entre.

Não pensei duas vezes.Eu fui em direção aquelas águas.Quando vi eu estava no meio do mar,sozinha,rodeada por ondas douradas imensas prontas para me arrastar para as profundezas.

Antes que elas quebrassem em mim eu acordei.Acordei com uma curiosa sensação de felicidade e desespero.

Sei que despertei e que ainda durmo.O meu corpo antigo,moído de eu viver diz-me que é muito cedo ainda…Sinto-me febril de longe.Peso-me,não sei porquê…

Então entra música “No canto”

Cena do Baile da Madrugada – Marília

(mostrando com as mãos) BAILE DA MADRUGADA era a noite mais quente do ano.

Tem gente que passa o ano esperando o carnaval chegar,né?Pois bem, eu, quando era adolescente, esperava a noite do Baile da Madrugada.

Aquele ano eu comprara um vestido branco lindo para usar com um bolerinho amarelo sensacional  da minha mãe.

Lembro que coloquei a roupa em cima da cama,tomei aquele banho,me maquiei e começou a chover.

Não desanimei.Liguei para o taxi.Queria chegar mais cedo,mas por conta da chuva acabei chegando as 12:30.

O salão estava cheio.Estava tão nervosa que não conseguia nem sentar.De repente olhei pro palco e levei o maior susto:a cantora de bolero usava um bolero amarelo IGUAL ao meu!

Estava lá com aquela cara de susto quando um rapaz que eu não conhecia me chamou para dançar.Ele era lindo,alto,magro,cabeludo.Tocava aquele bolero famoso,como é?Ah,sim:”No voy te olvidar,no voy te olvidar…”Ele dançava muito bem.Estava nas nuvens.Dançamos umas 5 músicas seguidas,quando ele me disse:Fica aqui que eu vou trazer seu drinque preferido.

Fiquei lá esperando 5,10,15,20,25 min….Outros rapazes se aproximaram de mim, mas eu não dancei com mais ninguém.Estava esperando ele voltar.

(troca de lugares)

Então ele voltou.Hoje ele diz que demorou só 5 min.Eu tenho a sensação de que esperei 30 min.Era tanto amor,ele dizia que ia me adorar para sempre.Na semana seguinte nós nos casamos.Fomos morar numa casinha linda,perto da mata.Ano passado vieram os gêmeos,Ana e Pedro.

Já se passaram 10 anos e até hoje ele diz que vai me adorar para sempre.

I’ve got life

Trecho de Vinícius

Trecho do conto “O Amor por entre o verde” de Vinícius de Moraes:

“É um tal milagre encontrar,nesse infinito labirinto de desenganos amorosos,o ser verdadeiramente amado…Esqueço o casalzinho no parque para perder-me por um momento na observação triste,mas fria,desse estranho baile de desencontros, em que frequentemente aquela que devia ser daquele acaba por bailar com outro porque o esperado nunca chega;e este, no entanto,passou por ela sem que ela o soubesse,suas mãos sem querer se tocaram,eles olharam-se nos olhos por um instante e não se reconheceram.

E é então que esqueço de tudo e vou olhar nos olhos de minha bem amada como se nunca a tivesse visto antes.É ela,Deus do céu,é ela!Como a encontrei,não sei.Como chegou até aqui,não vi.Mas é ela,eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa;e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura;e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano;e gostaria que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas,e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos mirando muito além das estrelas.”

Viviane Mose – Tempo festival – parte 02

Viviane Mosé – Tempo festival-parte 01

Um espanhol falando sobre seu dia,Lorca e Camarón de la Isla

18 de Noviembre 2004

La leyenda del tiempo

Laleyendadeltiempo.jpg

Esta mañana yendo al trabajo, me entretuve como cada mañana a ver el amanecer. El sol aparece allá por el horizonte, escondido bajo el mar, tímido y legañoso por la niebla. Yo también tengo sueño. De fondo escucho la Leyenda del tiempo de Camarón. No hace falta ser un entendido en flamenco para que te guste este disco, es universal. Raimundo Amador y Kiko Veneno tuvieron mucho que ver con el resultado del disco. Éste último fue el compositor de el famoso “Volando voy”. Una de las canciones que más me gustan es la que da título al disco, “La leyenda del tiempo”. La letra es un poema de Lorca. Escuchar esa canción que habla del tiempo, del alba, de los sueños… todo cobra más sentido al ver el Mediterráneo en calma, las playas desiertas, el vaivén de los barcos amarrados en el puerto de Arenys…

El resto del disco se compone de otras adaptaciones obras de Lorca, canciones populares como “la tarara”, canciones con unos arreglos muy cuidados y con Camarón como protagonista absoluto. Cuentan que cuando salió el disco allá por el 79 los viejos gitanos devolvieron el disco al escucharlo, decían que ese no era Camarón. Toda una revolución. ¡Si hasta sale un sitar al más puro estilo Sgt. Pepper´s!. Me da igual lo que digan los flamencólogos, me da igual lo que digan los adoradores de todo lo sajón. Tú dame veneno, dame un alivio, dame un poquito de paz. Dame un poco de aliento antes de volver a la más pura y dura de las rutinas.

La leyenda del tiempo
Autor: Federico García Lorca – Adaptación: Ricardo Pachón

El sueño va sobre el tiempo
flotando como un velero
nadie puede abrir semillas
en el corazón del sueño.
El tiempo va sobre el sueño
hundido hasta los cabellos.
Ayer y mañana comen
oscuras flores de duelo.
El sueño va sobre el tiempo…
Sobre la misma columna
abrazados sueño y tiempo
cruza el gemido del niño
la lengua rota del viejo.
El sueño va sobre el tiempo…
Y si el sueño finge muros
en la llanura del tiempo
el tiempo le hace creer
que nace en aquel momento.
El sueño va sobre el tiempo