O Avesso

A face permanece, a face permanece, a face permanece, a face… a face… escurece, escurece, a face escurece clareando o que há, clareando o que há, clareando, clareando, revelando, me mostrando, desnudando, cheguei a mim. Cheguei.

Eu já sabia, mas agora cada pedaço desse ser esquisito que está na minha frente revela um passado e dores vividas. Vejo-me exatamente como eu sou, e ninguém vê. Me vejo e reconheço que esse ser sou eu, por completo. Não há dúvida. Sou eu mesmo. Esses olhos tão íntimos, essa melancolia tão íntima, essa tristeza profunda tão minha, tão íntima, tão verdadeira… sou esse que me olha. Sou esse que não se revela a ninguém. Sou esse que algumas pessoas vêem um resquício, enxergam um pouco, mas um pouquinho só porque eu tô tão lotado dessa criatura que é inevitável, uma parte dela transborda e deixa-se perceber. Mas é um resquício, já disse.

Estou desnudado, mostrado, revelado, clareado, clareado, tudo em volta está escuro, escuro, escuro, a face volta… volta… volta… sou eu de novo da maneira que me vêem.

L.L.

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