Espelho

Parece que estou nua feito minhoca. Os detalhes se tornam cada vez mais interessantes, ricos e facilmente identificáveis. Para o que se quer esconder, como na vida, basta desviar-se do foco – aquele que pede para ser necessário. E ele mesmo é quem vai, lentamente, se tornando embaçado e disforme. Melhor assim; psicodélico. Os olhos chamam os olhos (e eles são infinitos, como a pele e como a alma). Eles se bastam. E mais: convidam para uma dança de inércias onde convivem a águia, o leão e o boi. Dependendo do histórico, dos relacionamentos, das leituras e do ciclo menstrual, há sempre quem comande os sentimentos. E é aí, atraindo-os para um mesmo circo, uma mesma esfera, que podemos desmascará-los um pouco mais. Um pouco. Como quando nos vemos através das janelas do ônibus: deveriam aparecer as ruas tumultuadas de Copacabana, mas nossos olhos, ainda assim, encontram fragmentos de tempo pra brilhar no reflexo. E, em qualquer reflexo, fazem questão de gritar seus maiores segredos. Mais uma vez, é melhor assim. As bolinhas castanhas trabalham a honestidade para que eu, inteira, possa chegar mais perto da vida bem analisada que Epicuro propunha pra mim. Ele me disse que precisávamos domar os sentimentos hiperbólicos nesse largo teatro de arena pra ser feliz. E ele foi.

T.L.

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