“Oração” do Plínio M.

Sei de mim. Caí na putaria por quê? Porque tava na pior. Ninguém entra nessa por gosto. Trepar é bom. Mas não é emprego. Enjoa. Daí fica tudo uma merda. Tanto faz ir com um ou com outro. Sempre dá na mesma. Eu só ando com homem por andar, ninguém dá nada pra ninguém. Um sanduba de merda, uma cama que mais parece um chiqueiro do que cama, como a tua, ou outra porcaria qualquer, custa uma nota. E eu nunca tenho grana. Troco pelo que tenho, que é essa carne que a terra vai comer mesmo. É por isso que eu tiro de letra os homens. Eles vêm aí? Se dane! Vão apagar nós três de uma vez? Se dane! Me apago gozando a cara desses filhos da puta todos. Eles vão entender bulhufas. Uma coisa ruim com o Bereco, cheio de bronca, cara mau, que faz e acontece, chiando pra morrer. Tá escrachado que vai apelar, chorar, gemer, se mijar de medo e os cambaus. Só não vai atirar. É uma merda que nem o Rato, que tá chué dos peitos, brocha, podre, só se aguenta aceso com cachaça no bucho, um lixo desgraçado, pedindo pra não ser apagado. E eu rindo. Rindo de tudo. Os homens vão ficar cabreiros. Não vão pescar o lance. Vai ser de cagar de rir.

“Oração para um pé-de-chinelo”, de Plínio Marcos

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